Autoria: Paula Moraes Ferreira;
Revisão: Prof. Dr. Victor Celso.
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As grafias do nome científico mais usadas são Jatropha gossypiifolia L. ou Jatropha gossypifolia L. A planta é conhecida, principalmente, pelo nome popular de pião-roxo no Brasil, possuindo diversos outros nomes populares pelo resto do país (Mariz, 2007). É uma planta típica de lugares com clima tropical e subtropical, sendo muito comum na Região Amazônica (Mariz et al., 2010).
Apresenta amplo uso ornamental em razão da fácil propagação de suas sementes. Suas folhas comumente possuem coloração arroxeada, o que leva ao seu uso decorativo (Silva, 1998; Matos, 2004). Essa espécie é considerada altamente tóxica, pois contém em seu interior um látex irritante cujo contato direto é capaz de causar lesões locais.
Morfologia
Para melhor identificação, o pião-roxo é um arbusto de porte médio, com caule lenhoso, ereto e ramificado, revestido de pelos e com presença de látex, uma substância esbranquiçada liberada quando a planta sofre algum dano (Kumar & Singh, 2012). Além disso, possui folhas grandes contendo pelos, dispostas de forma alternada no caule, divididas em lóbulos que se assemelham a uma mão aberta (Corrêa, 1984; Schvartsman, 1992). Outra característica das folhas é a sua coloração variada, podendo ser verdes, arroxeadas ou mistas, dependendo das condições ambientais ou do estágio de desenvolvimento (Olowokudejo, 1993). As flores podem ser roxas ou avermelhadas e os frutos são pequenos, contendo sementes escuras e oleosas (Corrêa, 1984; Schvartsman, 1992).
Regiões tóxicas, Intoxicação e Sintomas
Apesar de todos os seus potenciais efeitos terapêuticos, a J. gossypiifolia L. ainda é um risco para a saúde de pessoas e animais, sendo necessária atenção ao seu uso indiscriminado. A literatura relata que todas as partes da planta são danosas à saúde, com foco no caule (por ter a substância leitosa), nos frutos e nas sementes (Ogboge & Akano, 1993). O látex é cáustico para a pele e mucosas, podendo lesionar ou inflamar revestimentos externos e internos como boca, garganta, estômago e intestino (Schvartsman, 1992; Mariz, 2007).
A intoxicação, normalmente, se dá pela ingestão, que pode causar problemas digestivos como dores abdominais, vômitos e diarreia. Dependendo da dose, pode causar dificuldades na respiração, alterações no funcionamento do coração e, em casos mais graves, dano renal (Schenkel et al., 2007). Ademais, as sementes, quando ingeridas, podem causar problemas na circulação sanguínea e danos às células do organismo. De forma tópica, as sementes também podem causar inflamações na pele semelhantes às provocadas pelo látex (Devappa et al., 2010). Tanto as sementes quanto os frutos são as formas mais comuns de intoxicação em humanos devido à sua semelhança com castanhas comestíveis (Schenkel et al., 2007).
O uso prolongado causa intoxicação crônica, podendo acarretar danos significativos ao organismo. Entre os principais efeitos observados em um estudo realizado com ratos, destacam-se indícios de lesões hepáticas, renais e pulmonares, além do aumento da mortalidade nos animais avaliados (Mariz, 2007; Mariz et al., 2008). Portanto, apesar de a J. gossypiifolia L. apresentar propriedades medicinais, seu uso indiscriminado não é recomendado, representando risco para a saúde humana e de animais domésticos. Procure um profissional da saúde antes de fazer o uso.
Em caso de intoxicação, ligue para o CIATox (0800 722 6001) ou SAMU (192).

Fonte: SINITOX (https://sinitox.icict.fiocruz.br/plantas-toxicas)
Referências
CORRÊA, M. P. Dicionário das plantas úteis do Brasil e das exóticas cultivadas. Rio de Janeiro: Ministério da Agricultura; Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal, 1984. v. 5. p. 485.
DEVAPPA, R. K.; MAKKAR, H. P. S.; BECKER, K. Toxicidade da Jatropha: uma revisão. Journal of Toxicology and Environmental Health B: Critical Reviews, v. 13, n. 6, p. 476-507, 2010.
KUMAR, A.; SINGH, N. Jatropha gossypiifolia L.: a potential genetic resource for herbal dye. Genetic Resources and Crop Evolution, v. 59, p. 949-954, 2012.
MARIZ, S. R. Estudo toxicológico pré-clínico de Jatropha gossypiifolia L. 2007. 186 f. Tese (Doutorado em Produtos Naturais e Sintéticos Bioativos – Área de Concentração em Farmacologia) – Laboratório de Tecnologia Farmacêutica, Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, 2007.
MARIZ, S. R. et al. Avaliação histopatológica em ratos após tratamento agudo com o extrato etanólico de partes aéreas de Jatropha gossypiifolia L. Revista Brasileira de Farmacognosia, Curitiba, v. 18, n. 2, p. 213-216, 2008.
MARIZ, S. R. et al. Estudo toxicológico agudo do extrato etanólico de partes aéreas de Jatropha gossypiifolia L. em ratos. Revista Brasileira de Farmacognosia, Curitiba, v. 16, n. 3, p. 372-378, 2006.
MARIZ, S. R.; BORGES, A. C. R.; MELO-DINIZ, M. F. F.; MEDEIROS, I. A. Possibilidades terapêuticas e riscos toxicológicos de Jatropha gossypiifolia L.: uma revisão narrativa. Revista Brasileira de Plantas Medicinais, v. 12, n. 3, p. 346-357, 2010.
MATOS, F. J. A. Constituintes químicos ativos e propriedades biológicas de plantas medicinais brasileiras. Fortaleza: Editora UFC, 2004. 448 p.
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SCHENKEL, E. P.; ZANNIN, M.; MENTZ, L. A.; BORDIGNON, S. A. L.; IRGANG, B. Plantas tóxicas. In: SIMÕES, C. M. O.; SCHENKEL, E. P.; GOSMANN, G.; MELLO, J. C. P.; MENTZ, L. A.; PETROVICK, P. R. Farmacognosia: da planta ao medicamento. Porto Alegre: Editora da UFRGS; Florianópolis: Editora da UFSC, 2007.
SCHVARTSMAN, S. Plantas venenosas e animais peçonhentos. 2. ed. São Paulo: Sarvier, 1992.
SILVA, I. Euphorbiaceae da Caatinga: distribuição de espécies e potencial oleaginoso. 1998. Tese (Doutorado em Botânica) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 1998.
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